As paredes do escritório do tabelião Leo Almada mostram bem o
que ocupa a maior parte de sua vida. De um lado, homenagens recebidas
pelo seu trabalho como presidente do Instituto de Estudos de Protesto de
Títulos do Brasil. Do outro, fotos e quadros do America, clube
presidido por ele desde janeiro de 2014 e que está de volta à primeira
divisão do Rio após cinco anos na Série B.
— Hoje, o America ocupa dois terços da minha vida — reconhece Almada, 77 anos.
A
família, se não ocupa tanto espaço, ao menos ganhou um lugar especial.
As fotos das filhas e dos netos decoram o móvel principal da sala, que,
no entanto, não possui registros das mulheres — seja da atual, Ada, com
quem é casado há dois anos, ou das ex-esposas, Elenice e Gláucia, mães
de suas filhas.
Seu relacionamento mais duradouro é com o America.
Um amor que surgiu ainda na infância e evoluiu ao longo dos anos, com
direito a passagens pela diretoria — foi diretor de futebol em 1977 e
1978 e vice de futebol em 1982, 1983 e 1984.
A presidência é o
ponto alto da relação. Mas que só surgiu por acaso. Aos 75 anos, Almada
não acreditava que a vida pudesse lhe dar novos desafios. As filhas já
haviam construído família. Ele já estava recuperado da morte trágica de
sua segunda mulher Gláucia, vítima de um acidente doméstico, e havia
novamente casado. Tudo parecia calmo, até um grupo de americanos o pedir
para assumir o clube.
— O presidente da época (Vinícius Cordeiro)
renunciou com menos de dois terços do mandato. Pelo estatuto, deveria
haver nova eleição. Não queria assumir, mas me prometeram que seria um
mandato tampão e que o Romário viria em seguida.
Almada venceu o
pleito. Mas, na eleição seguinte, Romário deu para trás. Vitorioso na
disputa pelo Senado, o Baixinho viu que seu caminho na política era
promissor. E deixou a promessa de que, daqui a três anos, sairá
candidato no clube.
— Por isso que torço para esse negócio de ele ser candidato a prefeito não vingar — brinca.
Ao
lado do grupo que lhe pediu para assumir, Almada injeta dinheiro do
próprio bolso para pagar as despesas do clube. Só a folha salarial do
time, segundo ele, custa R$ 107 mil mensais. Nem por isso, no entanto,
ele se acha no direito de invadir o dia a dia do futebol.
— Em toda a Série B, só fui três vezes ao vestiário em dia de jogo.
Planos: shopping e nova peneira
Planos
para o futuro do America não faltam. Ainda neste ano, Almada quer dar
início ao projeto da nova sede. Uma concorrência vai definir a empresa
que erguerá um shopping na Rua Campos Salles, na Tijuca, e construirá as
novas instalações sociais. Ela deverá quitar a dívida do clube, orçada
em R$ 60 milhões; e destinar uma porcentagem da arrecadação do shopping
para o clube.
— Tenho certeza que as licenças irão sair em breve. O Romário está me ajudando nos contatos políticos.
No
futebol, o técnico Ricardo Cruz e o auxiliar Nelson Rodrigues já
tiveram os vínculos prorrogados para a Copa Rio, no segundo semestre; e a
Série A, em 2016. Para a formação do novo elenco, ele quer repetir a
fórmula adotada na Série B: a peneira com jogadores sem empresários.
—
Não tenho nada contra empresários, mas não quero nenhum perturbando meu
treinador para escalar seus jogadores — diz Almada, mostrando um
purismo de sucesso incerto na dura realidade da Série A.
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